Glossário do E-commerce: principais termos que você precisa conhecer.

Duas mulheres sorridentes vestindo roupas brancas em um ambiente claro e aconchegante. Uma delas segura um tablet enquanto a outra aponta para a tela e segura um cartão de crédito. Ao fundo, há plantas e uma sacola de compras. A imagem ilustra o conceito de compras online, glossário do e-commerce e termos digitais, destacando a experiência do consumidor com o uso de dispositivos móveis, aplicativos de pagamento e transações digitais seguras.

Quem entra numa reunião de e-commerce pela primeira vez costuma sair de lá com mais siglas do que respostas. GMV, SKU, ROAS, fulfillment, cada área fala sua própria língua, e a distância entre “eu ouvi esse termo” e “eu sei o que fazer com ele” é exatamente o que trava uma decisão rápida numa operação.

Este glossário existe para fechar essa distância: cada termo aqui vem explicado com o que significa, onde ele aparece na rotina real de uma loja virtual ou marketplace, e como ele se conecta com os outros conceitos que giram ao redor dele.

Você pode ler de cima a baixo ou pular direto para a categoria que precisa agora.


Como os principais termos do e-commerce se conectam?

Antes de entrar em cada definição, vale ver o quadro geral, porque nenhum desses termos existe isolado.

Uma venda percorre um caminho parecido com este: um cliente chega pela aquisição (SEO, SEM, mídia paga, mídia organica), navega pela loja e passa pelo checkout, o pagamento é processado por um gateway e validado por antifraude, o pedido nasce e entra no ERP, o ERP verifica o estoque disponível, o time de logística faz o picking e o packing, o pedido é expedido para uma transportadora e chega ao cliente, e depois disso entra o pós-venda, alimentado pelo CRM.

Cada etapa desse fluxo tem os termos deste glossário como vocabulário, e entender essa sequência ajuda a saber onde cada conceito realmente se encaixa antes mesmo de ler a definição isolada.


Fundamentos do e-commerce:

E-commerce:

O que é? E-commerce é a venda de produtos ou serviços realizada por meios digitais, sem que comprador e vendedor precisem estar fisicamente no mesmo lugar no momento da transação.

Na prática, isso cobre desde uma loja virtual própria até a venda dentro de um marketplace, um checkout via rede social ou uma venda fechada por WhatsApp com pagamento online. O que define e-commerce não é o canal específico, é a transação acontecer digitalmente.

Exemplo no e-commerce:Uma loja de roupas que vende pelo site próprio, pelo Mercado Livre e por um catálogo no Instagram está operando e-commerce em três frentes ao mesmo tempo, cada uma com sua própria dinâmica de custo, prazo e concorrência.

Por que isso importa? A escolha do canal muda diretamente margem, velocidade de venda e complexidade operacional. Um mesmo produto pode ter economia bem diferente dependendo de onde é vendido.

Marketplace:

O que é? Marketplace é uma plataforma onde múltiplos vendedores (sellers) anunciam e vendem produtos para o consumidor final, com a plataforma intermediando pagamento, exposição e, em muitos casos, logística.

Na prática, o seller não controla a experiência de compra inteira: preço mínimo, política de frete, prazo de entrega e até layout do anúncio segue regras da própria plataforma. Em troca, o marketplace entrega tráfego e confiança de marca que uma loja nova, sozinha, levaria anos para construir.

Exemplo no e-commerce: Uma marca pequena que nunca teve loja própria consegue vender no dia seguinte à aprovação do cadastro num marketplace grande, porque está usando a audiência e a estrutura de pagamento que já existem ali.

Por que isso importa? Comissão, prazo de repasse e regras de reputação do marketplace impactam diretamente na margem líquida da venda, muitas vezes de forma que só fica visível quando alguém calcula o custo real por pedido, não apenas o preço de venda.

Ominichannel:

O que é? Omnichannel é a integração real entre canais de venda e atendimento (loja física, site, marketplace, aplicativo), de forma que estoque, preço e histórico do cliente sejam os mesmos independentemente de por onde a compra aconteça.

Na prática, a diferença entre omnichannel e simplesmente “vender em vários canais” (multichannel) é a integração. Multichannel é ter loja física e loja virtual funcionando cada uma com seu próprio estoque e sistema. Omnichannel é ter as duas conectadas, de forma que um cliente possa comprar online e retirar na loja, ou devolver na loja um produto comprado no site, sem fricção.

Exemplo no e-commerce Um cliente reserva um produto no site e retira na loja física no mesmo dia, porque o sistema mostrou em tempo real que aquela unidade específica estava disponível naquele estoque.

Por que isso importa? Sem integração de estoque entre canais, é comum vender um produto que já não existe mais em nenhum lugar, gerando cancelamento e cliente insatisfeito. Isso normalmente exige um ERP central que sirva de fonte única de verdade para todos os canais.

Checkout:

O que é? Checkout é a etapa final da compra, em que o cliente confirma os itens do carrinho, informa os dados de entrega e efetua o pagamento.

Na prática, é o ponto de maior atrito de toda a jornada de compra: quanto mais campos, mais redirecionamentos e mais tempo de carregamento nessa etapa, maior a taxa de abandono. Existem dois modelos principais: checkout transparente, em que o cliente paga sem saltar para outro domínio, e checkout redirect, em que ele é levado para o ambiente do gateway de pagamento.

Exemplo no e-commerce: Uma loja que reduziu o checkout de seis para três etapas viu a taxa de conversão subir, porque cada etapa extra é uma nova chance de o cliente desistir da compra.

Por que isso importa? É a etapa mais monitorada de todo funil de e-commerce, porque pequenas fricções aqui custam venda que já estava praticamente fechada.


Produto e catálogo:

SKU:

O que é? SKU (Stock Keeping Unit) é o código único que identifica uma variação específica de produto dentro do estoque de uma empresa, geralmente combinando produto, tamanho e cor.

Na prática, uma camiseta que existe em três cores e quatro tamanhos gera doze SKUs diferentes, cada um com seu próprio saldo de estoque. O SKU é interno da empresa, diferente do EAN, que é um código de barras padronizado e usado por qualquer empresa que venda aquele produto.

Exemplo no e-commerce: Ao consultar “quantas unidades tenho da camiseta azul tamanho M”, o sistema está, na verdade, consultando o saldo de um SKU específico, não do produto genérico “camiseta”.

Por que isso importa? Controlar estoque por produto genérico, sem granularidade de SKU, é a causa mais comum de vender uma variação que já esgotou enquanto outra continua parada no estoque.

GTIN:

O que é? GTIN (Global Trade Item Number) é o padrão internacional de numeração de produtos que engloba o EAN, sendo o termo tecnicamente correto usado em integrações fiscais e com marketplaces internacionais.

Na prática, no Brasil, o mercado costuma falar “EAN” no dia a dia, mas a documentação técnica de integração e a nota fiscal eletrônica usam o termo GTIN. Eles se referem, na prática cotidiana, ao mesmo código de barras.

Por que isso importa? Cadastrar produtos sem GTIN válido pode gerar rejeição de anúncio em marketplace ou erro de emissão fiscal, dependendo da integração.

NCM:

O que é? NCM (Nomenclatura Comum do Mercosul) é o código fiscal que classifica a natureza do produto para fins de tributação, obrigatório em toda nota fiscal eletrônica emitida no Brasil.

Na prática, cada categoria de produto tem um NCM específico, e esse código determina diretamente quanto de imposto incide sobre aquela venda. Um erro de classificação de NCM pode gerar recolhimento de imposto incorreto, o que é um risco fiscal real, não apenas um detalhe de cadastro.

Por que isso importa? Cadastro de produto mal feito no campo de NCM é uma das causas mais comuns de inconsistência fiscal em operações de e-commerce que crescem rápido e cadastram catálogo às pressas.


Vendas e pedidos:

GMV:

O que é? GMV (Gross Merchandise Value) é o valor total transacionado numa plataforma de e-commerce em determinado período, antes de descontar comissões, impostos, frete ou devoluções.

Na prática, o GMV não é receita da empresa, é volume bruto de vendas. Um marketplace pode anunciar GMV de milhões, mas a receita real dele vem apenas da comissão sobre esse volume, não do valor total transacionado.

Exemplo no e-commerce: Uma loja que vendeu R$100 mil em um mês teve GMV de R$100 mil, mesmo que parte disso ainda vá ser descontada em devoluções, taxas de gateway e comissão de marketplace.

Por que isso importa? Confundir GMV com faturamento líquido é um dos erros mais comuns de leitura de resultado em e-commerce, e pode fazer uma operação parecer saudável quando a margem real está no vermelho.

AOV / Ticket médio:

O que é? AOV (Average Order Value), ou ticket médio, é o valor médio gasto por pedido, calculado dividindo a receita total pelo número de pedidos no período.

Na prática, aumentar o ticket médio costuma ser mais barato do que atrair um cliente novo, e é por isso que estratégias de cross-sell e up-sell no checkout existem: ganhar mais por pedido sem precisar gastar mais em aquisição.

Exemplo no e-commerce Uma loja com R$50 mil de receita e 500 pedidos no mês tem ticket médio de R$100.

Por que isso importa? Acompanhar ticket médio junto com CAC mostra se a operação está ficando mais eficiente ou só vendendo mais volume com menos lucro por venda.

Abandono de carrinho:

O que é? Abandono de carrinho é quando o cliente adiciona produtos ao carrinho, mas não conclui a compra até o pagamento.

Na prática, as causas mais comuns são frete alto revelado tarde demais, checkout longo, falta de meio de pagamento preferido e simples distração do cliente. É um dos indicadores mais monitorados em e-commerce porque representa venda que já estava praticamente fechada.

Por que isso importa? Reduzir a taxa de abandono costuma custar menos do que atrair novo tráfego, porque o cliente já demonstrou intenção de compra real.

Chargeback:

O que é? Chargeback é a contestação de uma compra feita pelo titular do cartão diretamente junto à operadora, o que pode resultar no cancelamento forçado do pagamento e devolução do valor ao cliente, mesmo sem o lojista concordar.

Na prática, é diferente de um estorno normal: no chargeback, a decisão passa pela operadora do cartão, não pelo lojista, e volume alto de chargebacks pode gerar penalidade ou até bloqueio da loja pelo gateway de pagamento.

Por que isso importa? Chargeback está diretamente ligado à qualidade do antifraude da operação: um checkout com validação fraca de identidade tende a sofrer mais contestações no médio prazo.


Logística:

Picking:

O que é? Picking é a etapa em que os produtos que compõem um pedido são localizados e separados no estoque físico para seguir para a conferência e, depois, para o packing.

Na prática, imagine um pedido com três produtos: uma camiseta, um par de meias e um boné. O picking é o momento em que alguém, ou um sistema automatizado guiado por um WMS, vai até a posição exata de cada um desses três itens no estoque e os reúne num único ponto para aquele pedido específico. Em operações grandes, a eficiência do picking depende diretamente de como o estoque está organizado fisicamente, não apenas de quem está fazendo a separação.

Por que isso importa? Essa etapa tem impacto direto na velocidade da expedição e na ocorrência de erros de envio: separar o item errado aqui só será descoberto, na maioria dos casos, na conferência, ou pior, quando o cliente já recebeu o pedido incompleto.

Packing:

O que é? Packing é a etapa em que os itens já separados no picking são embalados de forma adequada para o transporte, com etiqueta de envio e nota fiscal anexadas.

Na prática, a escolha da embalagem aqui afeta diretamente o custo de frete, porque o frete costuma ser calculado por peso cubado, não apenas por peso real. Uma caixa maior do que o necessário encarece o envio sem motivo.

Por que isso importa? Packing malfeito é causa comum de avaria em transporte e de custo de frete inflado sem necessidade, dois problemas que só aparecem no resultado financeiro semanas depois de acontecerem.

Fulfillment:

O que é? Fulfillment é o serviço, geralmente oferecido por marketplaces ou operadores logísticos terceirizados, em que o próprio prestador armazena o estoque do vendedor e executa picking, packing e expedição em nome dele.

Na prática Quando um seller opta por fulfillment num marketplace grande, ele deixa de controlar diretamente a separação e embalagem do próprio produto, mas em troca ganha selos de entrega rápida e prioridade de exibição, porque o marketplace confia mais na própria operação logística do que na do vendedor.

Por que isso importa? Fulfillment resolve escala logística rápida, mas reduz a visibilidade direta do vendedor sobre o próprio estoque físico, o que exige processos de conciliação mais rigorosos entre o sistema do seller e o do operador de fulfillment.

WMS:

O que é? WMS (Warehouse Management System) é o sistema responsável por controlar a operação física de um armazém: onde cada produto está posicionado, como o picking deve ser roteirizado e como o estoque é movimentado internamente.

Na prática, diferente do ERP, que centraliza toda a gestão do negócio (financeiro, fiscal, vendas), o WMS foca especificamente na eficiência física do armazém. Em operações menores, essas funções às vezes vivem dentro do próprio ERP, em operações grandes, o WMS costuma ser um sistema separado, integrado ao ERP por API.

Por que isso importa? Sem WMS ou controle equivalente, o picking se torna cada vez mais lento conforme o catálogo cresce, porque não existe roteiro otimizado de separação dentro do armazém.

Ruptura de estoque:

O que é? Ruptura de estoque é a situação em que um produto está indisponível para venda no momento em que o cliente quer comprá-lo, seja porque o estoque físico zerou ou porque o sistema não reflete corretamente o saldo real.

Na prática, existem duas rupturas diferentes e igualmente problemáticas: a ruptura real, quando o produto de fato não existe mais no estoque, e a ruptura de sistema, quando o produto existe fisicamente mas o sistema mostra saldo zero ou incorreto por falta de sincronização entre canais.

Por que isso importa? Ruptura de sistema é evitável com integração de estoque bem feita entre ERP e canais de venda, ruptura real exige planejamento de compra e giro de estoque mais preciso.


Pagamentos:

Gateway de pagamento:

O que é? Gateway é a tecnologia que processa e transmite os dados de pagamento entre a loja, o cliente e as instituições financeiras envolvidas na transação, sem necessariamente ser quem efetivamente liquida o pagamento.

Na prática, é comum confundir gateway com adquirente. O gateway é a camada tecnológica de processamento, o adquirente é a instituição financeira que efetivamente recebe e transfere o valor da transação para o lojista. Muitas soluções de mercado combinam as duas funções numa única oferta comercial, o que aumenta a confusão entre os termos.

Por que isso importa? A taxa de aprovação de pagamento varia bastante entre gateways, e uma taxa de aprovação baixa significa venda perdida mesmo depois de o cliente já ter decidido comprar.

Antifraude:

O que é? Antifraude é o conjunto de regras e tecnologias que analisam uma transação em tempo real para identificar risco de fraude antes de aprovar o pagamento.

Na prática, um antifraude bem calibrado protege a loja de chargeback e prejuízo direto, mas um antifraude excessivamente restritivo acaba bloqueando o cliente legítimo, gerando perda de venda por excesso de cautela.

Por que isso importa? Encontrar o equilíbrio entre segurança e taxa de aprovação é um dos ajustes mais delicados de qualquer operação de pagamento em e-commerce.

Split payment:

O que é? No contexto de pagamentos de marketplace, split payment é a divisão automática de um valor pago pelo cliente entre diferentes destinatários (o vendedor e a plataforma, por exemplo) no momento da transação. No contexto da Reforma Tributária brasileira, o mesmo termo passa a designar também o mecanismo de retenção automática do imposto direto na liquidação financeira da venda, um conceito relacionado mas distinto.

Na prática, é importante não confundir os dois usos: split payment comercial existe há anos em marketplaces, enquanto o split payment fiscal da Reforma Tributária ainda está em fase de implementação, com cronograma definido pelo governo federal.

Por que isso importa? Confundir os dois conceitos pode levar a decisões equivocadas de planejamento, porque um afeta relação entre seller e plataforma, e o outro afeta diretamente recolhimento de tributo.


Financeiro:

Margem de contribuição:

O que é? Margem de contribuição é o valor que resta da venda de um produto depois de descontar apenas os custos e despesas variáveis diretamente ligados àquela venda, antes de considerar os custos fixos da empresa.

Na prática, é diferente de margem bruta simples porque isola especificamente o que varia conforme o volume vendido (frete, comissão de marketplace, taxa de gateway, imposto sobre a venda), deixando de fora custos fixos como aluguel do escritório ou salário administrativo.

Por que isso importa? É a métrica mais confiável para decidir se vale a pena vender mais de um produto específico, porque mostra quanto cada venda adicional realmente contribui para pagar os custos fixos da empresa.

CMV:

O que é? CMV (Custo da Mercadoria Vendida) é o custo direto de aquisição ou produção dos produtos efetivamente vendidos num determinado período.

Na prática CMV não inclui despesas de marketing, frete ao cliente final ou taxas de pagamento; é estritamente o custo de ter aquele produto disponível para venda.

Por que isso importa? Junto com o preço de venda, o CMV é a base de cálculo da margem bruta, e um controle de estoque impreciso costuma distorcer o CMV real, mascarando produtos que na verdade dão menos lucro do que parece.


Fiscal e tributário:

NF-e e NFC-e:

O que é? NF-e (Nota Fiscal Eletrônica, modelo 55) é o documento fiscal usado em operações entre empresas (B2B) ou envolvendo pessoa jurídica. NFC-e (Nota Fiscal de Consumidor Eletrônica, modelo 65) é o documento equivalente para vendas ao consumidor final.

Na prática, uma venda de e-commerce para consumidor final normalmente gera NFC-e, enquanto uma venda B2B, por exemplo de um fabricante para um distribuidor, gera NF-e. Emitir o modelo errado é uma inconsistência fiscal real, não apenas um erro de formulário.

Por que isso importa? O ERP responsável pela emissão fiscal precisa estar corretamente configurado para identificar automaticamente qual modelo emitir conforme o tipo de cliente da venda.

ICMS:

O que é? ICMS (Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços) é o principal imposto estadual que incide sobre a venda de produtos no Brasil, com alíquotas que variam conforme o estado de origem e destino da mercadoria.

Na prática do e-commerce que vende para todo o país, o cálculo de ICMS envolve regras específicas de partilha entre o estado de origem e o de destino, especialmente em vendas interestaduais para consumidor final, o chamado DIFAL.

Por que isso importa? Erro de configuração de ICMS por estado é uma das fontes mais comuns de problema fiscal em operações de e-commerce que vendem nacionalmente sem ajustar corretamente o cadastro fiscal por UF.

Nota editorial: os termos tributários deste glossário (ICMS, IBS, CBS, split payment fiscal) explicam o conceito e a função de cada instituto, não substituem orientação de um contador ou fonte oficial da Receita Federal e da Secretaria da Fazenda do seu estado para aplicação prática, já que a legislação está em transição por conta da Reforma Tributária.

IBS e CBS:

O que é? IBS (Imposto sobre Bens e Serviços) e CBS (Contribuição sobre Bens e Serviços) são os dois novos tributos criados pela Reforma Tributária brasileira para substituir, ao longo de um período de transição, um conjunto de impostos atuais como ICMS, ISS, PIS e COFINS.

Na prática, o IBS substitui tributos estaduais e municipais (ICMS e ISS), enquanto o CBS substitui tributos federais (PIS e COFINS). O período de transição está em curso, com testes e alíquotas reduzidas em 2026 e implementação mais ampla a partir de 2027, conforme cronograma definido pelo governo federal.

Por que isso importa? Um e-commerce que hoje calcula ICMS e PIS/COFINS separadamente vai precisar, ao longo da transição, adaptar o ERP e o cálculo fiscal para o novo modelo, o que tem impacto direto em preço, margem e emissão de documento fiscal.


Tecnologia e integrações:

ERP:

O que é? ERP (Enterprise Resource Planning) é o sistema que centraliza a gestão das principais áreas de uma empresa, conectando estoque, compras, vendas, financeiro e fiscal numa única fonte de informação.

Na prática Num e-commerce, o ERP é o ponto de encontro entre o que acontece na loja (pedido feito) e o que acontece na operação (produto sai do estoque, nota fiscal é emitida, contas a receber é lançado). Sem essa centralização, cada área trabalha com sua própria versão da verdade, e reconciliar manualmente pedido, estoque e financeiro se torna trabalho diário que consome tempo que poderia ir para decisão estratégica.

Exemplo no e-commerce: Um pedido feito no site dispara, através do ERP, a baixa automática do estoque daquele SKU, a geração da nota fiscal correspondente e o lançamento do valor esperado em contas a receber, tudo a partir de um único evento.

Por que isso importa? Quanto mais canais de venda uma operação tem, maior a necessidade de um ERP que sirva de fonte única de verdade entre eles, porque a alternativa é reconciliar manualmente informação vinda de sistemas desconectados, o que não escala.

OMS:

O que é? OMS (Order Management System) é o sistema focado especificamente em gerenciar o ciclo de vida do pedido, desde a criação até a entrega, coordenando informação entre canais de venda, estoque e logística.

Na prática, em operações que vendem por múltiplos canais simultaneamente, o OMS decide, por exemplo, de qual centro de distribuição um pedido específico deve ser expedido, com base em disponibilidade de estoque e proximidade geográfica do cliente.

Por que isso importa? Sem OMS, operações com múltiplos estoques físicos tendem a expedir pedidos do centro de distribuição errado, gerando frete mais caro e prazo de entrega maior do que o necessário.

API:

O que é? API (Application Programming Interface) é o conjunto de regras que permite que dois sistemas diferentes troquem informações entre si de forma automatizada, sem intervenção manual.

Na prática, quando um ERP se conecta a um marketplace via API, um pedido feito no marketplace chega automaticamente ao ERP, e a atualização de estoque feita no ERP reflete automaticamente no marketplace, sem que alguém precise copiar dados manualmente entre sistemas.

Por que isso importa? A qualidade da integração via API entre ERP, marketplaces e plataformas de e-commerce é o que determina se a operação escala com segurança ou se depende de trabalho manual repetitivo e sujeito a erro conforme o volume de vendas cresce.


Métricas e indicadores:

CAC:

O que é? CAC (Custo de Aquisição de Cliente) é o valor médio investido em marketing e vendas para conquistar um novo cliente, calculado dividindo o investimento total pelo número de clientes novos conquistados no período.

Como calcular? CAC = investimento total em aquisição ÷ número de clientes novos no período.

Como interpretar? CAC isolado não diz muito; ele só faz sentido comparado ao LTV do mesmo cliente. Um CAC de R$50 é ótimo se aquele cliente vai gerar R$500 de receita ao longo do relacionamento, e péssimo se ele comprar uma única vez por R$60.

Erro de interpretação comum: Calcular CAC olhando só para investimento em mídia paga, sem incluir custo de equipe de marketing e vendas, o que subestima o custo real de aquisição.

LTV:

O que é? LTV (Lifetime Value) é a receita total que um cliente gera para a empresa durante todo o período em que se relaciona com ela, não apenas na primeira compra.

Como interpretar? A relação entre LTV e CAC é o indicador mais importante de saúde de aquisição: se o CAC está próximo ou maior que o LTV, a empresa está pagando para perder dinheiro a cada cliente novo, mesmo que o volume de vendas pareça bom.

Por que isso importa? Recompra (repeat purchase rate) é o principal motor de LTV alto, o que conecta esse indicador diretamente às estratégias de retenção e pós-venda, não apenas às de aquisição.

ROAS:

O que é? ROAS (Return On Ad Spend) mede quanto de receita foi gerada para cada real investido em publicidade, calculado dividindo a receita gerada pela campanha pelo valor investido nela.

Como calcular? ROAS = receita gerada pela campanha ÷ valor investido na campanha.

Erro de interpretação comum: Um ROAS alto não significa lucro alto, ele ignora custo do produto, frete e outras despesas da venda. Uma campanha pode ter ROAS de 5, parecendo excelente, e ainda gerar prejuízo se a margem do produto anunciado for baixa.


FAQ (Perguntas frequentes)

  • O que significa e-commerce? É a venda de produtos ou serviços realizada por meios digitais, sem exigir que comprador e vendedor estejam no mesmo lugar físico no momento da transação.

  • Quais são os principais termos do e-commerce? Os mais essenciais para começar são e-commerce, marketplace, ERP, SKU, checkout, conversão, gateway, picking, packing, fulfillment, WMS, GMV, CAC, ROAS e LTV, cada um explicado em detalhe neste glossário.

  • O que é SKU? É o código único que identifica uma variação específica de produto no estoque, geralmente combinando produto, tamanho e cor.

  • O que é ERP? É o sistema que centraliza a gestão de estoque, compras, vendas, financeiro e fiscal de uma empresa numa única fonte de informação.

  • O que é marketplace? É uma plataforma onde múltiplos vendedores anunciam e vendem produtos para o consumidor final, com a plataforma intermediando pagamento e exposição.

  • O que é fulfillment? É o serviço em que um operador logístico ou marketplace armazena o estoque do vendedor e executa picking, packing e expedição em nome dele.

  • O que é picking? É a etapa em que os produtos de um pedido são localizados e separados no estoque para seguir para conferência e packing.

  • O que é packing? É a etapa em que os itens já separados são embalados para transporte, com etiqueta e nota fiscal anexadas.

  • O que é WMS? É o sistema que controla a operação física de um armazém, incluindo posicionamento de produto e roteirização de picking.

  • O que é GMV? É o valor total transacionado numa plataforma de e-commerce em determinado período, antes de descontar comissões, impostos e devoluções.

  • O que é CAC? É o custo médio para conquistar um novo cliente, calculado dividindo o investimento em aquisição pelo número de clientes novos no período.

  • O que é ROAS? É o retorno em receita gerado para cada real investido em publicidade.

  • O que é checkout? É a etapa final da compra, em que o cliente confirma itens, informa dados de entrega e efetua o pagamento.

  • O que é gateway de pagamento? É a tecnologia que processa e transmite os dados de pagamento entre loja, cliente e instituições financeiras.

  • O que é omnichannel? É a integração real entre canais de venda, de forma que estoque, preço e histórico do cliente sejam consistentes independentemente do canal usado.

  • Qual a diferença entre ERP e plataforma de e-commerce? A plataforma de e-commerce é a vitrine onde o cliente navega e compra; o ERP é o sistema de gestão por trás, que controla estoque, financeiro e fiscal. Os dois trabalham integrados, mas cumprem funções diferentes.

  • Qual a diferença entre marketplace e loja virtual? Loja virtual é um canal de venda próprio da marca, com controle total sobre experiência e regras. Marketplace é uma plataforma compartilhada por múltiplos vendedores, com regras definidas pela própria plataforma.

Por falar em e-commerce: o KPL da ONCLICK

Se você chegou até aqui, já entendeu picking, packing, multiestoque, logística reversa e fluxo de pedidos como conceitos separados. Na operação real, o desafio é fazer tudo isso funcionar junto, todos os dias, sem depender de planilha paralela ou de alguém conferindo manualmente se o que saiu do estoque bate com o que foi vendido.

É esse o problema que o KPL, o ERP da ONCLICK para e-commerce, resolve na prática:

Logística interna simplificada: Picking, conferência e packing acontecem de forma prática e guiada dentro do próprio sistema, reduzindo o erro de separação que só aparece depois que o pedido já foi despachado.

Gestão de vendas em múltiplos canais: Loja própria e os principais marketplaces operam a partir do mesmo estoque e do mesmo sistema, o que evita exatamente o tipo de ruptura de sistema que este glossário explicou: vender um produto que o canal mostra disponível, mas que já não existe mais fisicamente.

Eficiência em trocas e devoluções: A logística reversa é tratada dentro do mesmo fluxo, em vez de depender de um processo paralelo e manual toda vez que um cliente devolve um produto.

Agilidade no fluxo de pedidos: Do momento em que o pedido entra até a expedição, o KPL foi desenhado especificamente para as exigências de estoque, financeiro e velocidade que um e-commerce em crescimento enfrenta no dia a dia.

Conhecer os termos é o primeiro passo, agora, fazer estoque, vendas, logística e financeiro conversarem entre si é o que separa uma operação que escala uma que trava no próprio crescimento.

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